sábado, 6 de junho de 2020


No mês de março passado o Plano de Mobilidade Urbana de Montenegro completou 10 anos. De 2010 aos dias de hoje a frota de automóveis no município saltou de 16.000 para 27.000. Um crescimento de 68%. Em números absolutos são 11.000 carros a mais disputando o mesmo espaço para circular e estacionar. É notória a hegemonia crescente do carro nas ruas da cidade, a uma "velocidade média" de 1.100 novas unidades a cada ano, 3 por dia. Por isso vale a pena destacar o que o Plano estabeleceu com relação à bicicleta, que é, na verdade, o que realmente interessa aos usuários desse meio de transporte. Leia.

 

"A POLÍTICA DA BICICLETA"

"Uma das grandes questões que se apresenta para os planejadores da mobilidade urbana em relação aos meios de transportes não motorizados é de ordem comportamental, ou seja, qual a imagem do ciclista ao usar a bicicleta como meio de transporte, dentro de uma sociedade que desenvolveu no imaginário das pessoas a idéia que o automóvel é o símbolo máximo de status e liberdade, e o transporte por meios não motorizados está associada à idéia de fracasso.

A situação só mudará com um novo posicionamento sobre o deslocamento de bicicleta enquanto produto dentro da ótica do marketing e o desenvolvimento de um forte esquema de comunicação para conseguir mudar a imagem do ciclista urbano, mostrando a ele e principalmente aos usuários de outros modos de transportes, e à sociedade de forma geral, que a bicicleta agrega valores em termos de qualidade de vida e de responsabilidade sócio-ambiental, além de permitir deslocamento com baixíssimo custo.

Portanto, a inclusão da bicicleta e percursos à pé nos deslocamentos urbanos deve ser abordada como um elemento-pioneiro para a implementação do conceito de mobilidade urbana sustentável como forma de redução de custo na mobilidade das pessoas, inclusão social, redução e eliminação de agentes poluentes e melhoria da saúde da população.

O estimulo ao seu uso passa por um adequado tratamento da infra-estrutura para a circulação de bicicletas e/ou pedestres na qual o pavimento apresente melhores condições comparativamente ao leito carroçável. Ao gestor público cabe a função de prover a infra-estrutura adequada para a circulação não motorizada através da segregação de parte do sistema viário para a circulação exclusiva ou preferencial desta modal, dotando os espaços com infra-estrutura e sinalização para propiciar a sua utilização de foram segura e confortável.

A política da mobilidade por bicicletas deve compreender as seguintes ações:
  • Programa de implantação de ciclovias conforme preconizado no presente PlanMob;
  • Programa de fiscalização quanto ao uso indevido por outras modais do leito viário destinado à circulação de ciclistas;
  • Campanhas de marketing para a propagação de seu uso como forma saudável, barata e ecologicamente correta de deslocamento" 
      (Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana - Março de 2010)