quinta-feira, 12 de junho de 2008

Da França ao Brasil, de bicicleta

O ciclismo de resistência é uma modalidade esportiva que vem despertando interesse e, conseqüentemente, ampliando espaços na mídia. Ainda recentes no Brasil, tais provas ocorrem em vários países do mundo e têm sua homologação (brevet) concedida, com exclusividade, desde 1891 por uma tradicional entidade francesa – o Audax Club Parisien – pois a França é considerada a pátria onde surgiu o ciclismo de longa distância, ao estilo randonneur.
A principal característica desse tipo de desafio é que os atletas não competem entre si. Mas nem por isso o certame deixa de ser empolgante, pois o ciclista disputa contra o relógio, devendo enfrentar as dificuldades do percurso em etapas de 200, 300, 400, 600 e 1200 km com tempo máximo fixado para cada quilometragem. Por isso, o espírito coletivo em uma prova desse tipo é baseado no companheirismo e na motivação recíproca ao longo do trajeto. Nesse contexto todos são vitoriosos por superarem seus próprios limites e essa atitude pode aplicar-se também, por analogia, às relações cotidianas.
Na condição de praticantes do ciclismo de resistência, podemos afirmar que estamos dando uma parcela de contribuição para a divulgação desse esporte-filosofia de vida, aqui, em Montenegro. A cada participação nossa em provas de Audax aumenta a repercussão proporcionada pelo Jornal Ibiá e pela TV Cultura. No ano em curso, entre março e maio foram 5 inserções no jornal e 2 na TV.
Já a nível nacional o Audax começa a projetar-se como modalidade digna de registro. Prova disso é a reportagem publicada na revista Bike Action do mês de maio de 2008 reconhecendo o ciclismo de longa distância não competitivo como prática esportiva em franca popularização no Brasil.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Audax 200 km Caxias do Sul

Participar do Audax 200 km de Caxias do Sul foi uma experiência positiva por várias razões.Vamos a algumas delas: em primeiro lugar, havia um receio presumido quanto à dificuldade imposta pelo terreno, cheio de altos e baixos e que por isso a prova seria muito desgastante e coisa e tal... Pois nem tanto. Quem já percorreu a Rota do Sol entre Caxias e Aratinga sabe que os "campos de cima da serra" têm lá suas ondulações mas nada que meta medo (pedalar de Montenegro a Salvador do sul, por exemplo, exige muito mais esforço em alguns trechos de aclive realmente acentuado, embora menos extensos). Em compensação, praticamente não há urbanização ao longo dessa estrada e, às vezes, nem mesmo se avista a rede elétrica. É a paisagem no seu estado absolutamente natural, de uma beleza indescritível, principlamente ao amanhecer. E ainda bem que que o sol apareceu por que às 6 horas da manhã, além de ainda estar escuro, a temperatura era de 8 graus.
Outro aspecto positivo foi o local de onde partimos para nossa aventura: um seminário recentemente transformado em centro de eventos com estrutura de hotel de luxo. Receptividade nota 10, bom alojamento, boa janta, tudo beleza. O reencontro com velhos e novos amigos completou o clima amistoso que sempre caracteriza as provas de Audax. Mas o Audax de Caxias teve 50% dos inscritos fazendo sua estréia nessa modalidade de ciclismo. Foi, portanto, oportunidade para fazer novas amizades. No dia seguinte, a satisfação dos estreantes depois de completado o percurso era contagiante.
A organização do evento, assim como em Santa Cruz, Lajeado e Porto Alegre estava impecável durante todo o percurso da prova. Pela primeira vez utilizei o serviço de manutenção gratuito colocado à disposição dos ciclistas. O carro de apoio percorria a estrada perguntando aos participantes se estava tudo bem. Aproveitei para regular os freios e garantir a segurança da pedalada.
Todos esses fatores determinaram o sucesso do Audax 200 km de Caxias do Sul. Nem o vento contra que tivemos de enfrentar no retorno foi motivo suficiente para arrependimento. Aliás, quem é "randonneur" (em breve, explico) enfrenta qualquer parada, com responsabilidade, é claro. Em 2009 estaremos lá novamente - Thales Moreira, Carlos Kuhn e eu - prestigiando e desfrutando bons momentos, esperando contar com a companhia de nossos parceiros de sempre Marco, Mauro e outros mais que desta vez não puderam estar presentes.
As fotos são do Poti Campos. Repórter fotográfico da Zero Hora e ciclista